Uma garotinha inquieta, questionadora e com uma curiosidade sem limites diante dos “mistérios” do ser humano e do mundo que habita. Assim defino a pequena Mafalda, personagem do Quino. Mafalda encanta com suas dúvidas sobre as relações humanas (Como seu pai podia se preocupar mais com o árbitro que deu falta para um jogador do que com a fome de zilhões de criancinhas no mundo?), as análises das posturas diferenciadas de seus amiguinhos (Miguelito, Manoelito, Susanita e Filipe) diante do mundo, entre outras divagações fantásticas que com o traquejo de uma criança, Mafalda questiona o mundo de uma forma sensível e brilhante.
Desde que li sua primeira tirinha (não lembro em qual jornal foi) me identifiquei em vários pontos com o jeitinho dela e hoje sou uma fã e devoradora de suas “historinhas”. Acho que eu não sou tão direta e sincera como ela, talvez porque já sou “grandinha” e minhas idéias passam pelo que penso ser o crivo social. Talvez seja por isso que tenho lido tanto as tirinhas da Mafalda, para tentar resgatar em mim um pouco a inocência das perguntas, da forma como as crianças fazem, e ao mesmo tempo continuar questionando tudo aquilo que não acho natural, mas que de certa forma, para os adultos já é considerado banal e ultrapassado indagar.
Pois bem, um dia eu estava bem à la Mafalda, um pouco insatisfeita como as coisas andavam (na categoria “coisas” cabe desde questionamentos profissionais, pessoais, políticos, filosóficos-existenciais e etc), quando fui presenteada com um livro da Mafalda (Número 3, em que Mafalda está diante de um globo, esta edição é dedicada aos Beatles,rs). Claro que abri um sorriso quando vi o livro, pensei “que coisa boa para meu dia, terei uma boa companhia, oba!”.
É impressionante quanto ensinamento uma criança pode nos dar!(essa bandeira em prol da sabedoria das crianças é muito forte em mim). Queria registrar a primeira tirinha que eu li do livro, foi tão significativo, parecia que a Mafalda direcionou o ensinamento para mim naquele momento:
A mãe da Mafalda está saindo e diz: “Vou ao mercado e já volto. Não abra a porta para ninguém, mesmo que a pessoa insista!” Mafalda responde “Tá bem.” A mãe já está no elevador, quando Mafalda grita “Mamãe, e se for a felicidade?”
Não precisa de comentários, né? Acho que as crianças abrem as portas pra felicidade mais facilmente que os adultos…
Como senti que a felicidade veio me visitar hoje, vou transcrever mais duas tirinhas da Mafalda.
Mafalda está deitada pensando (o globo está a seu lado): “Quando eu crescer, eu vou trabalhar de intérprete na ONU.” Ela começa a levantar-se em direção do globo, continua pensando: “E quando um delegado disser ao outro ‘Seu país é um nojo!’ Vou traduzir: ‘Seu país é um encanto!’ E então ninguém vai poder brigar, é claro!” Ela continua pensando:”E os conflitos e as guerras vão acabar, e o mundo vai estar a salvo!” Ajoelhada, ela olha para o globo e diz: “Isso se você me prometer que vai durar até eu crescer, viu?”
Essa é linda, me despeço deixando um beijo ao som dos Beatles!
Mafalda está assistindo um beijo novelístico na televisão, quando a mãe dela chega, desliga o aparelho e lhe entrega o livro “Pequeno Polegar” dizendo: “Toma, Mafalda, leia o ‘Pequeno Polegar’ que é muito melhor para a sua idade.” Mafalda começa a ler o livro “No escuro, pensando ser o Pequeno Polegar e seus irmãos, o ogro matou suas próprias filhas.” Ela levanta a cabeça: “Essa é boa! Sempre pensei que para qualquer idade um beijo é muito melhor que um crime”.
Julho 10, 2010 ás 17:11 |
Que bonitinha a Mafalda revoltada com Berlusconi…
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/entretenimento/mafalda-esta-indignada-com-berlusconi
Parabéns pelo texto… também amo a Mafalda!
Maio 19, 2011 ás 19:52 |
Oi Balinha!
Obrigada pelo comentário! Foi mal só responder hoje, mas eu entro pouco no meu próprio caderno! rs.
Beijos.